Perca o Controle

É utopia dizer que tudo de bom que não acontece na nossa vida é nossa responsabilidade. Mas eu ouso dizer que boa parte das oportunidades, experiências e vivências que perdemos é nossa culpa sim. Digo isso por que comigo é assim que acontece. Eu sou meu maior problema. Eu já devo ter dito isso alguma vez aqui no blog, ou em outro canto da internet, mas quando se trata de mim, eu faço questão de ser a definição de procrastinar (que, em poucas palavras, quer dizer enrolar mesmo). Porém hoje, no dia que escrevo este post, eu resolvi fazer diferente.

Eu estou voltando ao vegetarianismo (YES! *gritinhos histéricos*). Desta vez resolvi não divulgar muito, por que acabo criando expectativas e me frustrando no fim (visto que, minha mudança depende de disciplina, coisa que não tenho muito, não é mesmo?). Enfim. 

Meu trabalho fica próximo a um restaurante vegano e hoje, especialmente, me deu muita vontade de almoçar lá (a comida é maravilhosa e o preço é justo) porém, o próximo que digo exige de 5 a 7 minutos de caminhada, um trajeto que pra mim, no auge da velhice dos meus 20 anos, é muito longo e árduo. Sendo assim, até as 11:55am eu ainda estava pensando sobre ir ou não almoçar lá. Então me ocorreu o seguinte pensamento: "O único e principal motivo para eu não ir até lá é a minha preguiça de andar até lá. Que absurdo. Como eu posso deixar que algo tão pequeno me prive do prazer de almoçar num lugar tão legal?!"
Então amigos, eu fui. Mas, como eu iria fazer o trajeto sozinha, tive medo de ser abordada pelos famosos frutos da sociedade capitalista e consumista em que vivemos: os ladrões. Para ter menos prejuízo, resolvi deixar meu celular (desligado) no escritório mesmo. E aqui chegamos ao ponto alto deste relato.

Arrumei as coisas necessárias, desliguei o celular, bati meu ponto de saída para o almoço e fui, feliz e saltitante para minha aventura até o melhor restaurante da redondeza (para mim ;). 10 passos fora do escritório e me veio um insight: Eu não tenho relógio. A partir daí, o que era pra ser prazeroso se tornou uma sucessão de julgamentos do tipo: "Como eu vou controlar minha hora de almoço?", "Meu deus, estou sem as horas, o que vou fazer?", "Caraca, não dá, vou voltar.". 

EU.SÓ.ESTAVA.SEM.AS.HORAS.

Eu não ia demorar 2 horas pra voltar, sem contar que, em caso de emergência, eu poderia perguntar a algum transeunte sobre esta informação, que, naturalmente, não me seria negada. 
Me acalmei, continue meu trajeto e pensei em como nossa vida, nossa sanidade mental, podem ser facilmente afetadas por coisas tão pequenas quanto um relógio, ou um celular, ou a internet. Nós não conseguimos mais nos sentir bem sem ajuda externa. Se vamos relaxar, precisamos de música, se vamos passar um tempo livre, deusmelivre de ser ocioso, precisamos estar vendo as redes, um filme ou atualizando uma série. É difícil ficar na nossa própria companhia.

Hoje, só hoje, eu parei pra pensar nisso. Em como nós, seres humanos maravilhosos, cheios de inteligência, podemos condicionar nosso bem-estar a coisas tão pequenas e fúteis.

Meu almoço estava ótimo e, de quebra, ainda resolvi um outro problema que ficava bem próximo de lá. Sugiro essa mesma experiência: Desligue seu celular, saia sem relógio, fique sem internet por algumas horas, passe tempo ocioso. Experimente NÃO estar no controle por algum tempo. 

É angustiantemente maravilhoso.


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